quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Papa para presidente!

          O Estado em que vivemos, diferente de muitos outros, é considerado laico, ou seja, há uma separação formal entre Estado e religião e não há uma religião oficial a ser seguida. No entanto, mesmo sem esta obrigatoriedade, a religião possui fortes influencias sociais e políticas na sociedade, como mostram pesquisas da ONG chilena Corporacíon Latinobarometro, para os latino-americanos a igreja é tida como a instituição mais confiável (72%), seguida da televisão (49%), e nas ultimas posições, o congresso (24%).
 Algumas vezes, partidos políticos religiosos acabam abusando desta influencia e impondo seus valores a toda população. Um exemplo deste “abuso de poder” é o Projeto de Lei 256/2011 criado pelo deputado Orlando Morando (PSDB). Neste, o deputado obriga a instalação de crucifixos em todos os estabelecimentos de ensino do estado de São Paulo, sob o argumento de que não há pretensão em contrapor o Estado laico, e sim “manter vivo o símbolo de fé daqueles que habitam o Estado de São Paulo”. Porém, sabe-se que este projeto é completamente inconstitucional, uma vez que um governante não pode impor sua cultura e/ou modo de vida a toda sociedade, além disso, o crucifixo seria símbolo de uma religião especifica, a católica,  sendo uma contraposição muito óbvia à laicidade do estado.
       Por outro lado, ao analisarmos as atividades da igreja no passado e as compararmos com a atualidade, veremos que suas posições e a intensidade de sua influência foram muito alteradas.
Isso foi visto quando, pela primeira vez, o presidente Lula se reuniu a maioria do episcopado para discutir sobre os ideais de governo de Lula. Nesse encontro, os representantes da igreja requereram atenção especial para questões como reforma agrária, violência urbana, narcotráfico, integração nacional, questões de comunidades indígenas, direitos humanos, etc... e ainda confirmaram sua intenção de "colaborar com o governo de modo crítico, livre e livre em defesa da vida, família e justiça social".
Quanto a intensidade de sua influência, a história nos mostra que desde a idade média as pessoas diminuiram sua fé na igreja e desistiram de seguir sua filosofia de "faça o que eu digo, não faça o que eu faço", devido ao interesse da burguesia da época em obter lucros quando os mesmos eram considerados heresia; as justificativas da igreja para atrocidades cometidas e injustiças sociais já não satisfaziam; etc...
Nesse mesmo raciocínio, o autor Dermi Azevedo conclui, em seu texto "A Igreja Católica e seu papel político no Brasil", A igreja não mais busca exercer seu poder de forma direta, pois fracassaria se o tentasse, dada a consolidação do estado democrático (pluralismo religioso, laicidade do estado); e busca sim influenciar na política utilizando sua mensagem sociopolítica.
O doutor em ciência política também afirma que apesar do continente latino-americano conter o maior número de católicos do mundo (dando à igreja um poder de influência maior), foi-se registrado o "compromisso da igreja no Brasil com a democracia e com o Estado de Direito e sua opção de apoiar um modelo democrático, politicamente soberano e participativo, economicamente inclusivo e socialmente justo".

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Democracia Participativa


            A democracia participativa é uma forma exemplar de administração pública, pois nela o papel do cidadão vai além do voto, havendo um envolvimento total dos membros da sociedade com todas as questões sociais presentes.
            A sociedade civil necessita estar envolvida com tudo que se passa no seu país, estado ou município, não podendo deixar apenas nas mãos dos governantes as decisões que virão a influenciar no seu cotidiano.
           A partir da democracia participativa é possível ouvir a opinião de todos, desde o indivíduo mais letrado até o analfabeto da periferia, os quais obviamente têm interesses e preocupações distintas dentro da mesma sociedade. O fato de todos ouvirem e serem ouvidos faz da democracia participativa uma das formas de governo com maior participação popular, onde todos estão cientes de tudo que acontece dentro da sua sociedade. Desta maneira, não havendo uma forma ideal de governo, pode-se considerar a democracia participativa como uma forma de governo muito próxima da perfeição, onde há a participação de todos na busca para solucionar os problemas do todo.
            Por outro lado, o fato de acreditar que seja possível uma democracia na qual o povo é livre para exercer sua opinião nos assuntos políticos (direta ou indiretamente), chega a ser um pensamento utópico, simplesmente por nos basearmos no fato dessa democracia ser composta por seres imperfeitos em muitos sentidos: o homem.
            Refere-se a isso quando o conflito entre diferentes pensamentos se torna uma ignorância, ou seja, envolve uma idéia arcaica, preconceituosa, ou parcialmente irracional por um dos lados,e é compartilhada por uma grande parcela da população, e isso é comum em países com baixo grau de escolaridade, como o Brasil. Um exemplo disso é a desaceitação da maior parte da população brasileira (com menor grau de escolaridade, e maior de religiosidade) pela união homoafetiva.
           Obviamente somos todos livres para contribuirmos com a nossa opinião, fazendo parte de uma democracia participativa, mas como posto, a inclusão e consideração de idéias que impedem o país de evoluir, podem, ser consideradas um veneno (enfatizando que isso não significa que a democracia em si seja o erro, mas sim o baixo grau de escolaridade no país é).
           Ademais, encontramos mais um problema na democracia participativa, se trata do problema da falta de voz causada por uma democracia mal organizada. Quando nos deparamos com o fato de que apenas uma parcela da população consegue exercer sua vontade política corretamente, ocorre um monopólio das decisões políticas que irá favorecer a classe melhor apresentada, dando um fim na própria democracia participativa.