O Estado em que vivemos, diferente de muitos outros, é considerado laico, ou seja, há uma separação formal entre Estado e religião e não há uma religião oficial a ser seguida. No entanto, mesmo sem esta obrigatoriedade, a religião possui fortes influencias sociais e políticas na sociedade, como mostram pesquisas da ONG chilena Corporacíon Latinobarometro, para os latino-americanos a igreja é tida como a instituição mais confiável (72%), seguida da televisão (49%), e nas ultimas posições, o congresso (24%).
Algumas vezes, partidos políticos religiosos acabam abusando desta influencia e impondo seus valores a toda população. Um exemplo deste “abuso de poder” é o Projeto de Lei 256/2011 criado pelo deputado Orlando Morando (PSDB). Neste, o deputado obriga a instalação de crucifixos em todos os estabelecimentos de ensino do estado de São Paulo, sob o argumento de que não há pretensão em contrapor o Estado laico, e sim “manter vivo o símbolo de fé daqueles que habitam o Estado de São Paulo”. Porém, sabe-se que este projeto é completamente inconstitucional, uma vez que um governante não pode impor sua cultura e/ou modo de vida a toda sociedade, além disso, o crucifixo seria símbolo de uma religião especifica, a católica, sendo uma contraposição muito óbvia à laicidade do estado.
Por outro lado, ao analisarmos as atividades da igreja no passado e as compararmos com a atualidade, veremos que suas posições e a intensidade de sua influência foram muito alteradas.
Isso foi visto quando, pela primeira vez, o presidente Lula se reuniu a maioria do episcopado para discutir sobre os ideais de governo de Lula. Nesse encontro, os representantes da igreja requereram atenção especial para questões como reforma agrária, violência urbana, narcotráfico, integração nacional, questões de comunidades indígenas, direitos humanos, etc... e ainda confirmaram sua intenção de "colaborar com o governo de modo crítico, livre e livre em defesa da vida, família e justiça social".
Quanto a intensidade de sua influência, a história nos mostra que desde a idade média as pessoas diminuiram sua fé na igreja e desistiram de seguir sua filosofia de "faça o que eu digo, não faça o que eu faço", devido ao interesse da burguesia da época em obter lucros quando os mesmos eram considerados heresia; as justificativas da igreja para atrocidades cometidas e injustiças sociais já não satisfaziam; etc...
Nesse mesmo raciocínio, o autor Dermi Azevedo conclui, em seu texto "A Igreja Católica e seu papel político no Brasil", A igreja não mais busca exercer seu poder de forma direta, pois fracassaria se o tentasse, dada a consolidação do estado democrático (pluralismo religioso, laicidade do estado); e busca sim influenciar na política utilizando sua mensagem sociopolítica.
O doutor em ciência política também afirma que apesar do continente latino-americano conter o maior número de católicos do mundo (dando à igreja um poder de influência maior), foi-se registrado o "compromisso da igreja no Brasil com a democracia e com o Estado de Direito e sua opção de apoiar um modelo democrático, politicamente soberano e participativo, economicamente inclusivo e socialmente justo".

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